Fátima – o branquito

 

 

Francisco, tive uma ideia... e se fôssemos dar uma volta a pé? – perguntei eu ao nosso filho.
– simmmmmm... respondeu ele com grande entusiasmo, interrogando logo de seguida:
– E até onde vamos?
Podíamos subir a montanha. Estás com coragem?
– Claro que sim!, – retorquiu.
Então vamos lá. Algum tempo depois, estávamos a entrar no “caminho dos Pastorinhos”.
– Ó pai, há muitas pessoas que tiveram a mesma ideia e vieram por este caminho.
Sim é verdade, mas a razão de o fazerem é para rezarem a Via-sacra.
– O que é isso?
Este era o caminho que os Pastorinhos percorriam para levarem as ovelhas a pastar e por ele regressavam a casa. Um senhor que se chamava Padre Luís Kondor – de quem o pai e a mãe eram muito amigos –, com a ajuda do povo da Hungria, concebeu este caminho com o objectivo deste se tornar um caminho de oração. Por isso, ao longo deste percurso existem várias “casinhas com imagens”, designadas “Estações” que correspondem a episódios da vida de Jesus quando foi condenado à morte. No cimo do monte há uma pequena capela dedicada a Santo Estêvão (primeiro rei da Hungria), lugar também conhecido por Calvário Húngaro.
– Ó pai, isso é tudo muito complicado! – suspirou o Francisco.
Tens razão filho, mas estou certo de que um dia irás entender melhor estas coisas de Deus. Repara que os vários grupos que vão por este caminho, param junto de cada Estação e aí rezam. Vamos continuando…
Estás a ficar cansado? – perguntei eu.
– Ainda não, pai.
Estamos quase a chegar, mas olha, vamos por aqui para eu te mostrar um lugar especial.
– Ó pai, eu já estive aqui com a minha professora e os meus amigos!
Sabes como se chama este sítio?
– É o Anjo!
Chama-se Loca do Cabeço! – acrescentei eu.
– Pois é – confirmou ele –, completando de seguida:
– O Anjo branquito apareceu aqui aos Pastorinhos e deu à Lúcia uma coisa da Missa que parece uma bolacha!
Olha as coisas que tu sabes!, – retorqui eu – ainda espantado com tal resposta. Vamos aproximar-nos da imagem.
– Estás a ver pai, o Anjo também tem um cálice – reforçou ele.
Muito bem, Francisco – afirmei eu e acrescentei:
No ano anterior às aparições de Nossa Senhora, os Pastorinhos foram contemplados com a aparição do Anjo. Por três vezes, o Anjo apareceu à Jacinta, ao Francisco e à Lúcia. A primeira e a terceira vez, apareceu aqui, e da segunda vez foi junto da casa da Lúcia.
– Pois foi, junto do poço, onde eu já estive – atestou ele.
De todas as vezes que o Anjo apareceu ensinou e pediu aos Pastorinhos para rezarem.
– Pai, eu também já sei rezar ao Anjo – interrompeu ele para dizer de seguida a oração:
– Anjo da Guarda minha compaínha guarda-nos na hora de dia e de noite!
Estás quase, quase a dizer tudo bem. A oração que rezamos contigo antes de te deitares é:
Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia – corrigi. E continuei:
Como te estava a dizer o Anjo...
– Pai, o nome dele era Anjo de Portugal. Ou era Anjo da Paz? Já não me lembro... – duvidou.
Estás certo Francisco. Na primeira aparição o Anjo disse: «Não temais. Sou o Anjo da Paz». E na segunda aparição disse: «Atraí sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal».
– Eu gosto mais de dizer Anjo de Portugal, porque eu sou “do Portugal” – esclareceu.
Então, como estava a dizer, o Anjo da Paz para Portugal, ensinou os Pastorinhos a rezar. Uma das orações era assim:
«Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam», que é o que está escrito naquela pedra – completei.
Outra oração que o Anjo ensinou foi:
«Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores».
– Ó pai, essas orações são tão grandes que eu não as consigo decorar. Vou continuar a rezar a que eu sei! – rematou o Francisco.
Está bem. Não te preocupes. Conforme vais crescendo vais aprendendo muitas coisas e um dia também saberás ler e vais aprender estas e outras orações da Igreja.
– Pai, ainda te falta dizer quem bebeu do cálice.
Tu sabes Francisco? – perguntei.
– Sim. A professora, disse-nos que a Jacinta e o Francisco beberam do cálice e a Lúcia comeu “aquilo da Missa”.
É verdade. Mas repara bem: o que está por cima do cálice, é a Hóstia, que é Jesus.
– Pois... e como o Anjo de Portugal só trazia uma, deu-a à Lúcia, porque ela era a mais grande [maior] – concluiu.
Olha Francisco, agora que descansamos o corpo e fortalecemos a alma, vamos continuar o caminho.
– Vamooooos…! depois de subir é sempre a descer…

Anjo da Guarda, sede a companhia para todas as crianças e ajudai-nos a construir ambientes de paz à nossa volta.


Delfim Machado

 

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