Apóstola sem fronteiras

A Júlia da Conceição vivia em São Pedro de Castelões, Vale de Cambra, na casa que fora dos pais. Um lar com um terreiro amplo, soalheiro, arejado e um quarto colhedor. Morreu aos 75 anos, solteira. Desde os 17 anos, idade em que sofreu uma queda trágica duma figueira, viveu pregada à cama.

Viveu sorrindo, rezando e ajudando. Todos os que a conheceram viram o seu sorriso lindo e terno, e testemunharam o seu amor a Jesus Menino, a Jesus Eucaristia, à Igreja de Cristo e aos pobres. A cama, o quarto e o terreiro foram os limites territoriais da sua missão, e nem precisou de se mexer ou correr, porque quem precisasse de ser ouvido, ou de uma palavra santa do Evangelho, ou de um sorriso, ou de uma prece singela, ia à casa da Julinha, porque ela não saía dali e tinha tempo para todos!

O acidente que lhe quebrou a coluna poder-lhe-ia ter quebrado também o ânimo e a fé, mas acendeu-os e incendiou-os a ponto tal que chegou a ser em alto grau verdadeira missionária em união com a missão orante e compassiva da Igreja.

Em sua casa recebia pobres e ricos, grandes e pequenos, sábios e meninos, sacerdotes e missionários, casais desavindos e jovens inquietos. Deus lhe dera o dom do acolhimento e da palavra serena. Junto de si tinha em abundância jornais de todas as cores e feitios, rebuçados, pagelas, livrinhos, novenas, terços, o Livro do Divino Menino Jesus e o Mensageiro do Reizinho, de que era zeladora e apóstola fiel.

À sua volta cresceram gerações, especialmente os sobrinhos a quem ela embalou, mudou fraldas, ensinou a falar, a rezar a Jesus e à Virgem. A seu cuidado teve o encanto do seu coração, o Pe Vasco Nuno, sobrinho, hoje Carmelita Descalço e Prior do Carmo do Funchal, e a melhor resposta de Deus às suas orações pelas vocações de consagração religiosa e missionária!

A sua almofada era a Bíblia Sagrada e o seu coração um sacrário. Quantos junto dela se reconciliaram com Deus? Quantos reencaminharam as suas vidas? Quantos receberam luz, e bálsamo para as suas penas? Muitos, sim muitos!

Rezava muito e sobretudo em comunhão com a Igreja Orante; e rezava, sabíamo-lo nós, em comunhão com o Santuário de Avessadas, pelos seus devotos e peregrinos, pelos seus sacerdotes, por quantos se confiam à nossa oração junto do milagroso Menino Jesus. Ela confiava. Sabia de cor a história da devoção ao Menino Jesus de Praga e sabia como a Imagem tendo sido decepada de suas mãos implorou umas novas, para abençoar! Sim, a Julinha não pôde partir para terras longínquas das Missões, mas, em sua vez, voava o seu coração aonde necessária fosse a bênção do Divino Menino Jesus de Praga.

 

| 2017-02-04 |

 

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