Temos Mãe! Temos Mãe!


Na Quarta Memória, ao falar do dia 13 de Outubro de 1917, escreve a Irmã Lúcia: “Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-‑me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo”.
No dia 13 de Maio de 2017, em Fátima, o Papa Francisco disse-nos na homilia: “Jesus diz ao discípulo: Eis a tua Mãe (Jo 19, 26-27).Temos Mãe! Uma “Senhora tão bonita”: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa... Queridos peregrinos, temos Mãe, temos Mãe! Agarrados a ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus”.
A família do Carmelo, desde as suas origens, celebrou uma aliança com Nossa Senhora, sua Mãe. Quando os primeiros carmelitas se instalaram nas covas do Monte Carmelo, procurando a solidão e o silêncio para contemplar o Senhor, ao construir uma pequena capela dedicada a Nossa Senhora, estavam a colocar os fundamentos de uma relação fecunda entre todos os carmelitas e a Mãe do Carmelo.
São Simão Stock, o “Amado de Maria”, amou muito a sua Ordem. Por ela orou, lutou e trabalhou com coragem. Expandiu o Carmelo na Europa. Convidou a todos a viver as virtudes simbolizadas no Escapulário. Este sinal mariano, aprovado pela Igreja e difundido pela Ordem Carmelita como manifestação de amor a Maria, de confiança filial na sua pessoa, é o compromisso de viver as virtudes marianas.
O Escapulário, pela sua simplicidade, fala-nos das coisas de cada dia, mas a sua expressividade converte-o em património dos pobres da terra, fala-nos da aliança com todos os povos e convida todos os seres humanos a darem as mãos. O Escapulário é uma parábola de comunhão, porque é a prenda de uma Mãe que todos os dias beija as nossas feridas e entranhadamente nos aproxima da ternura da Santíssima Trindade. O Escapulário do Carmo é um sinal do amor materno da Virgem Maria. É um amor que pede uma resposta de amor.
Santa Teresa de Jesus, prestes a completar os 14 anos, após a morte de sua mãe, foi muito aflita junto de uma imagem de Nossa Senhora e, banhada em lágrimas, pediu-lhe que fosse ela a sua Mãe” (cf. V 1, 7). São João da Cruz olhava permanentemente para Maria a fim de aprender a deixar-se conduzir pelo Espírito Santo. Santa Teresinha do Menino Jesus, ao falar do milagre da sua cura, escreve: “Não encontrando na terra nenhum auxílio, a pobre Teresinha voltara-se também para a sua Mãe do Céu; pediu-lhe com todo o coração que tivesse finalmente piedade dela… De repente, a Virgem Maria pareceu-me bela, tão bela como nunca vira nada tão belo: o seu rosto irradiava uma bondade e uma ternura inefáveis; mas o que me penetrou até ao fundo da alma foi o encantador sorriso da Santíssima Virgem” (Ms A, 30rº). E famosa ficou também a afirmação de Teresinha: “Sabemos muito bem que a Virgem Santíssima é a rainha do céu e da terra, mas ela é mais mãe do que rainha.» Na verdade, os carmelitas olham para a Virgem Maria como a Mãe e Rainha do Carmelo, cheia de beleza e formosura. Uma mãe é sempre bela e uma senhora muito bonita!
“Mulher, eis o teu filho! Depois, disse ao discípulo: Eis a tua mãe! E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua” (Jo 19, 26.27). Também eu Te quero acolher como minha, ó Mãe de Jesus, pois “junto de vós, minha terna Mãe, encontrei o repouso do coração”.

Agostinho Leal, ocd

 

| 2017-07-01 |

 

| Lista das notícias | |